A tua pele não é algo estático que simplesmente se “desgasta” com o passar dos anos.
É um órgão vivo. É composta por várias camadas. Possui uma espécie de “almofada” estrutural de colagénio e tecido adiposo que ajuda a proteger os vasos sanguíneos.
Foi concebida — ao longo de muito tempo — para ser resistente, adaptar-se aos movimentos e proteger-nos do mundo exterior.
Aplicar apenas um creme hidratante comum não vai reforçar essa estrutura.
Esses cremes limitam-se sobretudo a hidratar a camada superficial.
Pensa nisto desta forma.
Se tens uma parede de tijolos a desfazer-se, pintá-la não vai impedir que continue a deteriorar-se. É preciso reparar a argamassa que mantém os tijolos unidos.
É precisamente este tipo de alteração estrutural que a idade e outros fatores podem provocar na nossa pele ao longo do tempo.
A “almofada protetora” diminui à medida que as estruturas de suporte da pele se tornam mais frágeis.
Os pequenos vasos sanguíneos ficam menos protegidos: sem esse suporte, os vasos imediatamente abaixo da superfície tornam-se mais vulneráveis.
A barreira da pele também pode enfraquecer: a pele torna-se muito fina e delicada, podendo lesionar-se e ganhar nódoas negras com pequenos impactos.
E, sempre que aparecia uma nódoa negra, a resposta parecia ser sempre a mesma: “mais arnica”...
Mais corretor...
Mais tinta numa parede que se está a desfazer...
Fiquei ali a pensar nos meus cremes “medicinais”, que não tinham feito nada para resolver a fragilidade crescente da minha pele.
Na vergonha que só desaparecia quando escondia os braços debaixo de mangas compridas.
Depois de anos de “cuidados”, sentia a minha pele pior do que dez anos antes.
Não era simplesmente porque nada tinha resultado.
Era porque tudo o que eu tinha tentado estava direcionado para o problema errado.